
Tendo como ponto de partida esta construção importante e histórica para tantos campos da ciência humana, entender que cada ser é individual e sua estrutura psíquica aqui também o é, pode revelar um olhar ampliado não só no campo da saúde e da doença, mas a base do que hoje entendemos como saúde mental. Na construção de entendimento de que não há um protocolo fechado e permanente, aplicável em nível compulsório e coletivo, mas sim uma escuta qualificada do psicanalista baseada no tripé (teoria, análise e supervisão). A formação com bases científica, estabelecida através de um grupo e validada por estudos de caso, de pacientes e do próprio Freud, uma prática desde o início da psicanálise, inclusive com a fundação da Associação Internacional de Psicanálise (1910).
Talvez a investigação iniciada por Freud tenha sua gênese (origem) no desvendar de respostas e justificativas para uma gama de sintomas, mapear uma série de perguntas em uma jornada inédita até a complexidade do aparelho psíquico. Contou com a contribuição de Josef Breuer (1842 – 1925) na interpretação sobre as origens reprimidas de transtornos psíquicos. Com Jean-Martin Charcot (1825 – 1893), estabelecem balizadores como, a presença de distúrbio nervoso nos casos de histeria comprovando que não seria uma doença da “imaginação” ou uma irritação do útero (do grego “hystera”), que os sintomas não tinham relação com a anatomia do sistema nervoso e traz a possibilidade de se tratar a histeria através da hipnotize.
Com esta base teórica e se utilizando de suas anotações com pacientes e sua auto análise Freud apresenta a Primeira Tópica (Topográfico:1900 a 1914) onde dividia a psique humana em Consciente, Pré-Consciente e Inconsciente, organizando as instâncias do aparelho psíquico em lugares (topos) da mente. Atualizando esta teoria com a estrutura na Segunda Tópica (Estrutural: 1914 a 1939) onde revisa seus conteúdos, atribuindo relevância ao ego, e reestruturando seu modelo de aparelho psíquico.
A utilização da associação livre, ganha potência na atenção flutuante do psicanalista que utiliza os sonhos como ferramenta de e para investigar os caminhos para acessar o inconsciente, a partir de medos, traumas, angústias, frustrações e desejos do indivíduo que, por algum motivo, não conseguem acessar a via consciente. Dentre as possibilidades e “motivo” há os conteúdos latentes (esfera do inconsciente) que se estabelecem por meio de conteúdos manifestos (a “história” sonhada). E nesta composição a energia pulsional (catexia), de duas formas, a de autoconservação (manter-se vivo) e as pulsões sexuais (libido).
Janaina Collar Beccon

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