Tem foco em boas práticas em saúde, adotando ferramentas como a psicanálise, bioética e adventos que são correntes na sociedade contemporâneos estabelecendo caminhos e um olhar comum construindo a integração através do corpo. Somos seres desejantes e como tais, como Freud comenta só existimos a partir do outro. E como pensar e ter sua singularidade reconhecida?
O Instituto objetiva ser o borramento das ciências humanas e da saúde, enlaçando a psicanálise, bioética e os adventos marcantes que ocorrem na vida de cada um de nós e deixam rastros, sejam com os mais amplos ou restritos significados, marcam.
Temos como plano de partida:
Linha de pesquisa temos como objetivo a construção de narrativas em que co corpo e suas camadas/individualidade não são sinônimos, e que por inúmeras interferências e argumentos haverá agrupamentos tido como detentores dos crivos subjetivos de prioridades. Nesta toada a individuação se estabelece como ser vivente ou seja, com sua completude e singularidade sem rankiamento a partir das inúmeras vivencias que o indivíduo performa/relata/queixa sobre violência. Nosso embasamento entende que não se trata de individualizar um corpo, pois o corpo pode retratar, refletir uma imagem (existências e narrativas), são construções e poder constituído através do estabelecimento do conhecimento onde muitas interpretações reproduzem discursos dominantes e que agrupa esses corpos em categorias, enviesando sua individualidade e, portanto, sua singularidade se associa a outras como na metáfora do imitador de vozes, onde o fazer parte da sociedade, por exemplo, requer diferentes papéis e como tais tem seus graus de representatividade.
Em nossa linha de pesquisa propomos um ponto de chegada comum, repensar sobre esses discursos, não só do ponto vista do controle social, mas também individual e de como os processos de autoconhecimento e críticas dependem dessas rupturas e autonomia individual.
A formação de políticas públicas, ou a própria anamneseou entrevista preliminar vê o corpo como primeira camada, as vezes única, e a partir dela teça conclusões e respostas. O descolamento precisa ocorrer entre indivíduo e corpo, pois os espaços de violência institucionais, ou naturalizados residem em muito nesta relação, uma vez que classificações (e reducionismos) são reproduzidos, já que (ainda) defendem certezas.
O que é o corpo humano? Qual a relação que temos com o nosso corpo? Propriedade? Isso são perguntas que só fazem sentido a partir do século XIX, quando a evolução do pensamento moderno busca cada vez mais na ciência e menos na religião as explicações sobre nossas relações sociais e com o universo. A própria Igreja católica fica mais terrena com o Vaticano, provocando também divisões que fomentaram a criação do Luteranismo e do Calvinismo.
A ideia de corpo humano sequer fez parte de qualquer conceito apartado da ideia de pessoa até este período histórico. Não à toa as execuções em praça pública envolviam suplícios com procedimentos específicos sobre o corpo como parte da sentença penal, inclusive com a determinação de encaminhar o corpo do condenado para servir de material de ensino para escolas de anatomia, pois os direitos de personalidade como conhecemos hoje tem como um dos principais marcadores a Revolução Francesa de 1789. Isso significa que ao longo dos últimos dois séculos vamos fortalecer cada vez mais que direitos e deveres se devem a pessoa e que corpo, conceitualmente, é definido como um tipo de objeto, cuja dignidade está associada a memória da pessoa quando viva, bem como ao seu pertencimento ao gênero humano.
Não executamos mais ninguém em patíbulos armados pelos seus carrascos, cuja profissão deixou de existir ao raiar do século XX. Muito embora os direitos humanos estão associados ao respeito à dignidade humana, o corpo ainda é a unidade de medida e seleção quando estamos falando em promoção de políticas criminais. Quando criminalizávamos a prática da capoeira até a década de 1930, era o corpo da pessoa negra o objeto a ser controlado, até porque ainda vigorava um discurso criminológico em diferentes estudos publicados de que este corpo tinha mais propensão a cometer delitos. Quem lembra das expressões homem médio e mulher honesta? Nesse sentido, discurso científico chegou a defender que o chamado orgasmo feminino era um facilitador ou uma condição para que ocorresse a gravidez. Isso não é só um discurso que culpa o corpo feminino, mas que também traz consequências do ponto de vista penal: uma mulher que alegasse ter sofrido abuso era descredibilizada (portanto não honesta) se do ato criminoso uma gravidez resultasse. Isso é controle de corpo e não podemos achar que isso ficou no passado. Hoje o discurso tem outra roupagem. Ainda reproduzimos discursos que segmentam pessoas conforme o corpo dessa pessoa.
Vamos aprofundar essas discussões e os processos de formação do significante que individual não precisa estar só ou num sentimento de estrangeiro, numa metáfora sentida por muitos e muito bem utilizada pelo autor francês Albert Camus e seu personagem Mersault cuja expressão “tanto faz” ao ser solicitado sua opinião amarca. Portanto, nesta linha temos psicanálise, temos direito penal, temos bioética e temos saúde coletiva.
Pesquisadores Vinculados:
Janaina Matheus Collar Beccon
João Beccon de Almeida Neto

