
Associação Livre: ato de escuta e prática investigativa
Em cena início do século XX, mulheres consideradas estranhas ou de alguma forma estrangeiras há uma dada lista de requisitos (pré-requisitos), elaborados por homens e em sua maioria médicos, eram diagnosticadas por histéricas, exclusividade dadas as pessoas com útero, órgão considerado a época por muitos como “misterioso”. E assim, com frequência os tratamentos prescritos eram variações de casamentos compulsórios e eletrochoque, ou seja, uma clara política de silenciamento através da violência, e se “não resolvesse” estariam elas chanceladas como mulheres loucas e incuráveis. Alguns podem achar se tratar de exagero ou reduzir a prática como “era o que se fazia a época” mas não é, pura realidade plena e aqui um agradecimento especial para todas que vieram antes de nós e que pavimentaram a estrada que hoje temos como realidade, apesar de tantas arestas a serem “aprimoradas”.
A neurose, é um termo para definir doenças que acarretavam distúrbios de personalidade, tendo como métodos de tratamento a eletroterapia, seguida pela hipnose e posteriormente pela Livre Associação (escuta flutuante e fala livre, sem julgamento). Quando o diagnóstico de mulheres loucas, evolui para histéricas, e a prática da hipnose não mais lhe parece um protocolo efetivo, Sigmund Freud (1856 – 1939) começa a estabelecer a possibilidade de um olhar singular aos seus manejos de investigação rumo a um tratamento e estabelecendo marcos como “todas as neuroses representam uma defesa contra ideias insuportáveis”.
Talvez a primeira prática de escuta qualificada que se tenha registro, ou seja, com o objetivo de escutar o sujeito, como ser ativo. Com esta estrutura nasce a associação livre, como tratamento psicanalítico, tendo como base a trajetória de autoanálise do autor (1895 a 1899) também conhecida como “esplêndido isolamento”, buscava compreender seus medos, anseios e dores. Partindo da associação livre, da recuperação dos sonhos e das memórias da infância. Com o objetivo de entrar em contato com seus conteúdos psíquicos, o que produz uma série de dados empíricos relatados ao longo de sua obra.
Janaina Collar Beccon

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